Bombeiros Voluntários de Minde

O Homem sonha e a obra nasce.

Postas assim as palavras parece que entre o sonho pensado e a obra feita vai apenas o tempo que medeia entre o ato de semear e o nascimento da obra sonhada.

As coisas não são assim tão simples pois que para preparar a sementeira há, por vezes, que fazer um persistente trabalho de arroteia contra burocracias e suspeições, tão moroso e desmotivador que pode fazer desistir qualquer ânimo menos voluntarioso.

Isso é o que acontece com a maior parte das iniciativas quer sejam de caráter particular quer sejam de âmbito social.

O percurso da corporação dos Bombeiros de Minde não fugiu a essa regra porque para chegar ao estatuto de Associação de Bombeiros Voluntários foi longa a caminhada, timidamente iniciada em 1 de Julho de 1956 com a criação duma Brigada de Socorros dependente dos Bombeiros Municipais de Alcanena, então sob o comando do Sr. Mário Madeira. De concreto pode dar-se como certo que nela se empenharam a fundo, entre outros senhores, Jõao Arlindo Capaz Manha, Delfino Gameiro Fernandes e António Rico Almeida. Foram estes os três componentes do seu primeiro corpo ativo.

A esta incipiente Brigada de Socorros viria a ser dado mais tarde, já em Outubro de 1959, um novo impulso com o alargamento do quadro para quinze bombeiros e a entrega duma bomba braçal para intervenções de pequena escala, mantendo-se no entanto sob o comando e responsabilidade dos Bombeiros Municipais de Alcanena.

Só que esta pequena mas briosa corporação não se sentia bem com um comando à distância e em breve começou a alimentar desejos de autonomia. Tiveram no entanto que passar quatro anos até que esta lhe fosse reconhecida em 14 de Julho de 1974, (como uma nova Tomada da Bastilha), tendo assumido o comando da corporação o Sr. João Arlindo Capaz Manha, a quem, inegavelmente, Minde deve muito do que hoje são os nossos Bombeiros, pois que com sacrifício, abnegação e elevado espírito de servir se manteve no seu comando até Fevereiro de 1981, quando de livre vontade se afastou, sucedendo-lhe no cargo o Sr. Luís Alberto Fernandes Achega.

A casa que serviu de primeiro quartel aos bombeiros estava situada no lugar onde hoje se encontra o establecimento de máquinas e acessórios têxteis entre o laboratório das análises e o talho do Eugénio, na Rua Dr. Totta. O quartel passou depois para umas instalações que faziam parte da antiga fábrica dos Pires, em frente do Salão Paroquial, onde se manteve até 1978, ano em que passou para as instalações próprias que hoje ocupa as quais têm vindo a ser melhoradas e ampliadas, para melhor corresponderem ao desenvolvimento da instituição.

A primeira ambulância resultou da adaptação de um automóvel em segunda mão adquirido com os donativos angariados entre os sócios e os amigos da corporação. A sua inauguração fez-se em oito de Janeiro de 1961 com uma festa muito aparatosa em que participaram os Bombeiros Municipais e autoridades locais e concelheiras.

Em 8 de Maio de 1982 foi criado o Corpo Auxiliar Feminino que foi chefiado inicialmente pela Sra. D. Margarida Maria Santos Rico.
Sendo Minde uma terra toda voltada para a música não tardou que a corporação tivesse sido dotada de uma fanfarra que pouco a pouco foi afirmando os seus créditos a pontos de hoje poder equiparar-se às melhores das que se custumam apresentar em festivais de bombeiros.

Atualmente os Bombeiros Voluntários de Minde estão dotados de um considerável parque de viaturas e de material, podendo com ele dar resposta à maior parte das situações da sua esfera de competências.

Do equipamento do quartel fazem parte, para além das razoáveis instalações do pessoal, um bar, espaços para manutenção de equipamento e viaturas, uma torre para exercícios em altura e um heliporto na parada da corporação.

Muitas são as intervenções da corporação em ações de diversa ordem, especialmente no tempo quente no ataque a fogos florestais, às vezes em zonas bastante afastadas, e nos serviços de transporte de doentes e sinistrados dispondo para o efeito de ambulâncias devidamente equipadas para a prestação de socorros de emergência.

É de referir que sendo uma associação de caráter humanitário tem uma das melhores fontes de receita nas contas dos seus numerosos sócios que sempre têm correspondido aos seus apelos quando se trata de realizações de maior vulto.