Capela de São Sebastião

São escassas as notícias sobre o passado remoto da capela de S. Sebastião. Jesus e Silva afirma que teria sido construída a seguir a um flagelo de fome e peste que assolou o país em 1521. O Couseiro (“O Couseiro ou Memórias do Bispado de Leiria”, é um dos livros mais citados no âmbito da historiografia do Bispado de Leiria) diz dela apenas que é muito antiga e que a imagem do patrono é de vulto.
Admitindo como certa a data atrás citada já se pode aceitar que na altura em que foi escrito O Couseiro os cento e tantos anos da capela já lhe pudessem merecer a classificação de muito antiga.

Por que transformações terá ela passado durante tão longa existência?

Não se conhecem notícias de qualquer intervenção na capela desde a sua origem até ao início do século passado. A assinalar qualquer acréscimo ou remodelação apenas nos podemos apoiar na data de 1680 gravada numa das colunas do alpendre. Em 1926 a capela mostrava um avançado estado de ruína.

Sendo ao tempo Presidente da Junta o Sr. João Martins, resolveu ele tomar sobre si o compromisso de proceder à sua reparação. Mandou arrear o madeiramento e colocar de lado os barrotes, desencontrando-os para compensação das curvaturas. Para trave mestra foi aproveitada uma viga de cerne do casarão que ele tinha nas Eiras, então demolido para dar lugar ao coreto uns anos mais tarde. Na mesma altura orientou-se o campanário no sentido transversal ao corpo da capela para evitar que o rapazio, ao atirar pedras ao sino para o ouvir tocar, prejudicasse o telhado.

O alpendre então aberto por abatimento da cobertura só por 1938/39 é que foi recoberto por iniciativa do mesmo Sr. João Martins que, para tanto, ofereceu o madeiramento de castanho, que foi travado com esticadores de ferro. Hoje a capela encontra-se muito bem cuidada e enriquecida com todos os requisitos necessários à sua utilização, de acordo com as exigências dos novos tempos: boas alfaias litúrgicas, mobiliário bastante completo e até instalações sanitárias, indispensáveis às funções de casa mortuária que vem desempenhando desde 1 de Julho de 1982. Em 2005 com a retirada dos azulejos do corpo da capela, da sacristia e do alpendre foi igualmente substituído o piso de mármore da nave da capela e do alpendre. As obras foram feitas com a coordenação da Câmara e da Junta de Freguesia.

O zelo da capela está desde há muito a cargo das pessoas de boa vontade da vizinhança.

in Martins, Abílio Madeira, “A herança de Dom David”.