Casa do Povo de Minde

As Casas do Povo foram instituídas pelo Estado Novo para funcionarem como centros sociais dotados de prerrogativas de caráter cultural, recreativo e assistencial, de modo a servirem de alternativa à deletéria influência das tabernas, especialmente nos meios rurais.

O estabelecimento da nossa Casa do Povo remonta ao princípio dos anos quarenta nas diligências que levaram à sua criação estiveram envolvidos, entre outras pessoas, os senhores José Capaz (Deodato) e José António Carvalho.

Se bem que houvesse Casas do Povo instaladas em edifícios construídos de propósito para o fim a que se destinavam, em Minde isso não aconteceu, pois sempre funcionou em casa alugada até se instalar nas dependências do Teatro.

Não se pense, no entanto, que a Casa do Povo não tinha uma sede tanto quanto possível condigna, uma vez que até possuía um bilhar, certamente o mesmo já servira na Liga Mindense e no Centro Social Católico. Situava-se ela na casa do Areeiro (Rua Cónego Feliciano) que era da D. Gertrudes da Silva Neto, onde chegaram a estar também instaladas, em tempos diferentes, a Liga Mindense, o Núcleo da Legião Portuguesa, a Banda e a Farmácia.

A instituição teve sérias dificuldades em se impor, pelo facto de Minde não ser já na altura uma terra predominantemente rural e, por isso, os objetivos da Casa do Povo não se apresentavam aos diferentes estratos sócio-económicos da população como uma corporação de geral e real interesse. Isto porque os contribuintes pouco mais viam nela do que uma agremiação cobradora de mais um imposto sem que a maior parte deles admitisse tirar qualquer benefício da sua condição de sócios, imposta pelo facto de pagarem contribuição predial. As suas funções acabaram, por isso, por se reduzir a formalidades e burocracias relacionadas com atos administrativos e a atribuição de subsídios à pobreza, provenientes do Fundo de Desemprego e das cotas, sempre difíceis de cobrar.

Como organismos corporativos que eram, beneficiavam dos apoios financeiros do Estado e foi esta uma das razões que levou o Sr. José Carvalho a integrar a Banda na Casa do Povo já que ela vivia em permanentes dificuldades financeiras.

Muito contestada, a Casa do Povo acabou por ter uma existência mais virtual que efetiva, limitando-se ao processamento de subvenções e aos normais atos de expediente, até que em 1954, pelas mesmas razões que levaram à integração da Banda, o património da Associação Pró-Infância Roque Gameiro foi também entregue à Casa do Povo.

Foi assim que, com subsídios do Estado conseguidos por intermédio da Casa do Povo, se conseguiu concluir as obras do Teatro, que vinha funcionando em precárias condições desde a sua abertura ao público em 1950. Nas dependências do Teatro ficaram instalados, a partir de então, os serviços da Casa do Povo que conseguiu sobreviver às investidas reformistas do novo regime.