Escola Básica 2/3 de Minde

Edifícios escolares

Fazer o historial das escolas é como escavar num amontoado de escombros resultantes da ação demolidora do tempo, em busca de dados que lhes digam respeito e tentar arrumá-los de acordo com a sucessão cronológica dos factos.

Não fossem as informações de João Martins pouco mais se saberia do ensino em Minde de antes do século XX do que um dado sobre a criação de um lugar de professor, por D. Maria I, a funcionar no hospício.

Noutro lugar deste livro se faz menção de alguns agentes de ensino que lecionaram nas nossas escolas até 1900, mas desacompanhada de quaisquer referências aos edifícios onde elas funcionaram. Diz-se tão somente que até 1900 as escolas funcionavam onde calhava, em casas emprestadas ou de renda.

Tudo o que se pôde apurar foi que constou na altura do falecimento do Sr. Manuel Carreira Afonso Leão (Zambarino), em 1876, que ele iria deixar “uma ótima casa para n’ela se estabelecer a escola de instrução primária de 4.000$ réis para se pôr apropriada ao fim a que se destina”.

Este legado seria apenas, na altura, uma intenção, não formalizada legalmente, mas nem por isso perdeu validade perante os herdeiros que, se honrados não fossem, a poderiam denegar quando, vinte e poucos anos mais tarde, alguém se lembrou de lhes pedir a prometida casa para a escola.

Honrada que foi a palavra do Zambarino pela sua filha D. Rosa e pelo seu genro Sr. Manuel Luís, a casa foi vendida, revertendo a receita da venda para ajudar a financiar o primeiro edifício construído de propósito para a escola masculina, sob a planta de Adães Bermudes.

Fica-nos a impressão de que a instrução do sexo feminino não era prioritária.

A construção da escola feminina ficou a dever-se ao benemérito Padre Paulo para nela ficar colocada a partir de 1903, por direito concedido por lei, a sua sobrinha Maria José Borges, entretanto formada professora na Escola Normal de Leiria.

Foi assim que Minde foi dotado de escolas para os dois sexos, em edifícios separados – o dos rapazes, com residência para o professor, no Rocio das Eiras, junto à capela de Santo António e o das raparigas na então chamada Rua de Baixo, junto à casa da professora sua titular.

Em 1934 foi remodelada a escola das Eiras e construído a seu lado um bloco geminado para a escola feminina, deixando portanto de funcionar a escola da Rua de Baixo.

Para o apoio aos alunos mais necessitados, e fazendo parte do mesmo conjunto, foi também construída a Cantina Padre Paulo, nas traseiras do bloco escolar.

O edifício de três salas, junto ao Teatro, fez-se em 1962 para acabar com o congestionamento das escolas das Eiras, sobrecarregadas com um excessivo número de alunos devido à afluência de operariado que auqi se fixou por motivo do rápido desenvolvimento da indústria local.

Mais tarde, em 1983, foi o grupo escolar de Minde complementado com um novo complexo de quatro salas de aula, salão multiusos, e biblioteca, construído no sítio do Felgar. Só em Outubro de 1984 entrou em funcionamento.

Entretanto, por já não reunir as melhores condições para as funções docentes, a escola e a cantina das Eiras foram adaptadas a jardins de infância, o mesmo sucedendo à escola do meio (junto ao Teatro) quando em 2001 a escola do Felgar, foi remodelada e ampliada, para receber todo o 1.º ciclo escolar.

Em Outubro de 1993 entrou em funcionamento a Escola Básica do 2.º e 3.º Ciclo junto à Escola Primária já construída no Felgar ficando as duas a ser beneficiadas pela mesma cantina dos serviços do IASE (Instituto de Ação Social Escolar) o que implicou o encerramento da Cantina Escolar Padre Paulo.

Com a diminuição da população escolar acabaram por ser desativadas as instalações da escola das Eiras, que entraram por isso num acelerado processo de degradação tornando-se, consequentemente, num alvo de atos de vandalismo, até que vieram a ser demolidas, sem aviso prévio, em 18 de Abril de 2005 pela Junta de então, presidida por Luís Miguel Martins Pires.

Cantina escolar

Alberto Guedes foi um dos muitos sobrinhos do Padre Paulo.

Foi este que tomou conta dele e dos irmãos quando, muito novos ainda, ficaram orfãos de pai e em situação de grande dificuldade de sobrevivência. Ao amparo deste bondoso tio, ficaram eles devendo as suas carreiras, mais ou menos brilhantes, no rumo que deram à vida.

Alberto viria a tornar-se um próspero banqueiro com atividades financeiras tanto em Portugal como no Brasil.

Conta-se que um dia, sentindo desejo de homenagear a memória de seu tio com um gesto de benemerência para com a terra de seus pais e deste tio, se aconselhou com um amigo, José Rufino de seu nome, natural de Alijó. Este tê-lo-á aconselhado a fazer o mesmo que ele já tinha feito na sua terra – uma cantina escolar – dotando-a com uma renda perpétua que lhe garantisse os meios para subsidiar com alimentação e outros benefícios os alunos mais necessitados das escolas.

Assim nasceu a Cantina Escolar Padre Paulo, que teve, como é natural, uma gestação burocrática bastante complicada.

O edifício ficou anexo às escolas e foi dotado com as condições mínimas exigidas naquele tempo – cozinha, despensa, refeitório e, já se vê, uma cisterna para o indispensável abastecimento de água. Este invejável equipamento social cujas instalações foram também custeadas pelo benemérito, foi inaugurado durante a chamada Festa da Luz em 10 de Junho de 1934.

Os oito contos e 422$80 anuais provenientes dos juros do capital depositado na Junta do Crédito Público eram, à data da instituição do benefício uma quantia avultada que dava para pagar a uma cozinheira, a senhora Florinda, e apoiar com o café, almoço, cortes de cabelo e até calçado os cerca de vinte alunos inicialmente assistidos.

É de assinalar o facto de na década de quarenta haver ainda quem frequentasse a escola descalço, uns por necessidade e outros por força do hábito.

Com o rodar dos anos a renda foi perdendo valor e tiveram que se restringir as regalias. Mais tarde houve necessidade de se formar uma associação para que com o produto da cotização dos sócios se pudesse garantir a assistência aos casos mais gritantes, chegando mesmo a organizar-se um cortejo de oferendas com grande aparato em Março de 1951.

Com a criação do IASE – Instituto de Ação Social Escolar, a Cantina passou a beneficiar dos subsídios do Estado.

Em 1984 foi ordenada a integração das cantinas nestas condições na assistência escolar oficial a cargo das Câmaras Municipais pelo que o título da Renda Perpétua da Junta de Crédito Público teve de ser entregue à Câmara Municipal de Alcanena, e declarada oficialmente a extinção da Cantina com o seu antigo estatuto.

Até meados da década de cinquenta os seus corpos gerentes eram estranhos às escolas embora tivessem entre si estreitas relações. A partir de então os quadros diretivos da instituição passaram a ser compostos por membros do corpo docente, à exceção do cargo de presidente que era exercido por um indivíduo estranho à escola.

Todo o percurso da Cantina pode ser acompanhado par e passu nos seus competentes livros de atas, ainda existentes, e no Jornal de Minde a partir de 1955.

Estabelecimento público de ensino, pertencente ao Agrupamento de Escolas de Alcanena, destinado ao 2º e 3º ciclos do ensino básico.

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