As Festas na Freguesia…

Naturalmente que este tipo de manifestações está sempre sujeito a mil e uma contingências sobretudo enquanto elas não assumem o estatuto de tradicionais, o que pressupõe uma continuidade mais ou menos regular. É pois praticamente impossível averiguar a idade de cada uma das nossas festas, salvo a do Vale Alto por ser de fundação relativamente recente. Limitar-nos-emos, por isso, a dar notícia das suas mais antigas referências, que sejam do nosso conhecimento.

Atualmente são três as festas de motivação religiosa que se fazem na sede da freguesia, duas as que se fazem no Covão do Coelho e a festa anual do Vale Alto. São festas que se podem classificar de oficiais pois que, à partida, nenhum sector da população se pode considerar excluído por terem, para além da sua motivação religiosa, a componente cívica acionadas por uma só comissão em cada uma delas.

As comissões que promoviam as festas eram constituídas até 1984 por um Juiz, um Escrivão e por um grupo de mordomos coadjuvantes nomeados pelas comissões do ano anterior.

É preciso que se diga que cada comissão tinha também Juíza e Escrivã, nomeadas a posteriori pelos já empossados Juiz e Escrivão, que eram geralmente as respetivas esposas ou familiares mais próximas.

De 1984 em diante as comissões, conforme mais adiante se refere, passaram a ser constituídas por grupos etários, portanto sem a atribuição de títulos especiais entre os mordomos.

Há outras festas de realização eventual e índole mais específica, que pode ser estritamente religiosa ou ser de natureza apenas cívica.

Festa do Espírito Santo…

Há uns trinta anos era uma festa de segundo plano quando comparada com a festa de agosto. A época do ano e os hábitos até então vigentes ainda não lhe eram favoráveis como são atualmente. Mas as coisas mudaram e desde que se foi sedimentando o costume de ir de férias em Agosto, aliado a outras circunstâncias adversas, a festa do Espírito Santo entrou em alta em detrimento da festa de N.º Senhora que lentamente tem vindo a decair.

Normalmente o programa da festa abrange dois dias, atingindo o seu auge no domingo de Pentecostes.

O programa religioso compõe-se de todo um cerimonial muito rico em atos de grande significado e solenidade, alguns de muito longa tradição.

Antes das inovações trazidas pelos novos tempos, o pároco, antes da missa, dirigia-se à residência do Juiz onde se organizava um cortejo com a cruz paroquial e a bandeira. O cortejo em que o Juiz, envergando uma capa magna (talar), conduzia a Coroa ladeado pelos padrinhos, (por ele convidados geralmente entre pessoas de família) a pegarem nas pontas laterais da capa, seguia depois para a matriz, ao som de música. Para este efeito foi mandado fazer e oferecido pelo Sr. Joaquim da Silva Raposo, em 1941, um suporte de prata para o transporte da Coroa e seu apoio num pequeno altar sob o arco do cruzeiro, ladeado por duas serpentinas, durante o cerimonial na igreja e bem depois das procissões.

Festas em Honra de Nossa Senhora da Assunção…

A festa de agosto é a que se faz em honra de N.ª Sr.ª da Assunção, a padroeira da freguesia e tem como dia principal dos atos festivos o dia 15, o dia santo que lhe é dedicado no calendário litúrgico.

O seu programa religioso abrange dois dias com missas solenes, sermões e procissões, estas com percursos diferentes, tal como as do Espírito Santo, incluindo ainda outras cerimónias circunstanciais.

Aparte o ritual relacionado com a coroa, o programa religioso da festa de Agosto não difere muito do da festa do Espírito Santo pelo que nos dispensamos de descer a pormenores descritivos. Diremos somente que durante a festa a imagem de N.ª Sr.ª da Assunção é o principal alvo da veneração dos fiéis, que têm pela sua padroeira uma acendrada devoção demonstrada dum modo muito especial durante as soleníssimas procissões em Sua honra. Há também um outro símbolo a que são prestadas especiais reverências por parte dos devotos que é a bandeira de N.ª Sr.ª, a mesma que representa a paróquia em atos festivos tanto na freguesia como fora dela.

Desconhece-se desde quando é que a festa de Agosto entrou no mapa das atividades religiosas de Minde. A notícia mais antiga que dela temos data de 1876 e foi inserida no jornal O Portomosense. Nela se diz que a festa esteve muito concorrida tanto por romeiros da freguesia como das circunvizinhas, e que desde 1873 a imagem é festejada com toda a pompa três vezes por ano, certamente pelo facto de os mindericos terem recorrido à sua padroeira há quarenta e três anos por causa da epidemia da cólera morbus.

No que respeita ao programa cívico repete-se o que acontece na festa do Espírito Santo – as estrondosas alvoradas de foguetes e morteiros e os arraiais à tarde e à noite com números mais ou menos variados e interessantes, de acordo com os projetos distribuídos ou os cartazes afixados, podendo o programa ser alargado a mais um ou dois dias conforma as facilidades do calendário e as conveniências da organização.

Como insígnia a circular pelas casas dos membros das novas comissões está agora, desde o ano de 2000, uma réplica reduzida da imagem de N.ª Sr.ª da Assunção, feita pela artista de Minde Rita Pires.

A sua entrega, juntamente com a bandeira, faz-se em obediência ao critério usado na festa do Espírito Santo, só que neste caso o grupo é o daqueles que hão-de fazer cinquenta anos.

Festas de Santo António e São Sebastião …

Dantes as festas em honra destes santos faziam-se em separado e só de tempos a tempos quando alguém, por promessa ou devoção se dispunha a patrocinar a realização dos festejos. Embora em escala mais reduzida os programas não divergiam muito do das outras festas: alvorada, missa cantada com sermão nas respetivas capelas, procissão e um pequeno arraial. Como diferenças principais havia cada tríduo preparatório e uma grande fogueira na noite da véspera nas proximidades das capelas.

O grupo etário dos que fazem agora esta festa é o dos trinta anos e o seu campo de recrutamento abrange toda a sede da freguesia. Na sua transferência procede-se como nas outras festas.

Não temos dados precisos sobre o modo como decorriam estas festas eventuais mas podemos adiantar que a de S. Sebastião se fazia no dia 20 de janeiro ou no domingo imediato e que a de Santo António também se fazia em janeiro para não ficar muito próxima da festa do Espírito Santo, até que, em meados do século XX elas passaram a realizar-se em conjunto e anualmente com mordomos nomeados em alternância entre os rapazes das respetivas vizinhanças. Os santos passaram então a ser festejados em parceria, sendo cada um deles ora anfitrião ora convidado, deslocando-se procissionalmente, quando nesta condição, à capela anfitriã, nos serões da véspera e seguinte ao dia da festa.

Quando a vida era ainda vincadamente rural, as ofertas para estes seus patronos prendiam-se muito com promessas de bens alimentares como azeite, carnes e enchidos, pela proteção dada pelo santo à criação dos animais uma vez que não havia grandes possibilidades de evitar as morrinhas.

Festas em Honra de N. Sr.ª da Conceição…

As festas do Covão do Coelho realizam-se, uma no Verão, no 2º. Domingo de Agosto, e a outra em 8 de dezembro, dia da padroeira do lugar, N. Sr.ª da Conceição.

A primeira para além da parte religiosa do seu programa tem uma muito relevante componente cívica com a duração de dois a quatro dias.

A segunda é de cunho acentuadamente religioso.

Festas em Honra de Nossa Senhora da Guia…

A festa anual é em honra de N. Sr.ª da Guia, orago da capela do lugar e realiza-se com um programa religioso e cívico no 1º domingo de agosto.