Mercado de Minde

Antes de 1914 a única referência conhecida sobre a realização de um mercado é-nos dada pela notícia da vinda dos franceses a estes sítios durante a terceira invasão. Diz essa notícia, publicada no Portugal Antigo e Moderno, que os soldados franceses entraram na povoação vindos dos lados da Costa, em 10 de Novembro de 1810, domingo, quando se realizava o mercado.

Não se sabendo qual a sua dimensão, o local onde se realizava nem a data da sua criação, a ser verídica a informação ficámos a saber que o nosso mercado já era centenário quando em 1914 se construiu a praça onde, a partir de então ele passou a realizar-se ao domingo, tal como dantes, com a afluência da população residente e das terras vizinhas, exceptuando naturalmente a de Mira de Aire que já tinha também o seu mercado desde 1904.

O rápido desenvolvimento da freguesia vizinha nos anos vinte provocou um efeito de ressaca em Minde, pelo que o comércio local foi perdendo predominância na região a pontos de o mercado se ter extinguido totalmente durante alguns anos em benefício do mercado de Mira de Aire.

À recessão causada pela guerra acabaria por suceder, a partir dos anos cinquenta, um período de acelerado desenvolvimento industrial com o consequente afluxo de grande número de operários a Minde, muitos dos quais cá fixaram residência, o que levou a Junta de então ao restabelecimento do mercado, não ao domingo, como dantes, mas sim ao sábado, na mesma praça que entretanto tinha sido ampliada. Dali viria a mudar-se para a praça 14 de Agosto, depois de ela ter ficado em condições de o receber, em 25 de Fevereiro de 1967. Só em 13 de Junho de 1991 passou a ocupar as instalações do grande complexo onde atualmente se encontra.

in Martins, Abílio Madeira, “A herança de Dom David”.