Moinhos do Covão do Coelho

Sendo hoje monumentos mortos de memórias ainda vivas, foram durante longos anos fábricas de farinha que faziam parte da paisagem humanizada da nossa terra, condicionando de certo modo o pulsar das mães de família, das donas de casa.

Situados no alto de um monte, para eles convergiam os olhares a saber se estavam a trabalhar, a produzir a farinha que em cada lar, em cada mesa, sob a forma de pão ou de boroa, havia de apaziguar os ânimos e aconchegar os estômagos.

Eram grandes as preocupações das famílias quando se deixavam de ouvir os búzios, pois não era certo que o pão não faltaria nas mesas. Isto poderia acontecer se a invernia era dura ou se a calmaria se prolongava. É que com chuva o moleiro não podia desfraldar as velas, e sem vento não havia energia que animasse os moinhos.

Havia no Inverno prolongado o recurso ao moinho de água que funcionava junto à nascente do rio da Pena, à beira da mata em Minde.

O moleiro carregava com mestria os taleigos sobre o dorso do burrito que ziguezaguiava carreiro acima, evitando as pedras, os obstáculos, pacientemente, sem nenhum protesto ou reinvidicação até ao seu destino que bem sabia e conhecia.

Caminho bem mais acessível hoje para aqueles que quiserem visitar as orgulhosas ruínas que ainda se encontram lá no alto do monte.

in Castanheira, José Pedro, “A história do Covão do Coelho”